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: EXTRAS

. Edição em caderno de argolas com 80 páginas, réplica daquele usado por Springsteen na altura das gravações, incluíndo as letras originais e versões das mesmas, para além de fotografias nunca antes editadas.


© 2010

: CURIOSIDADES


. O CD duplo com 21 temas inéditos, foi também lançado nas lojas à parte desta edição especial.

. Existe ainda uma versão em vinil desses temas (3 LPs).

DVD's

The Complete Video Anthology / 1978-2000 Blood Brothers Live in New York City Live in Barcelona In Concert - MTV Plugged Devils & Dust VH1 Storytellers
Born to Run - 30th Anniversary We Shall Overcome: The Seeger Sessions We Shall Overcome: The Seeger Sessions - American Land Edition Live in Dublin Working on a Dream London Calling: Live in Hyde Park The Promise The Promise

THE PROMISE:
THE DARKNESS ON THE EDGE OF TOWN STORY



TEMAS


DARKNESS ON THE EDGE OF TOWN
(CD REMASTERIZADO)

. Badlands
. Adam Raised a Cain
. Something In the Night
. Candy's Room
. Racing In the Street
. The Promised Land
. Factory
. Streets of Fire
. Prove It All Night
. Darkness On the Edge of Town

THE PROMISE
(CD DUPLO COM 21 TEMAS INÉDITOS)

. Racing In The Street ('78)
. Gotta Get That Feeling
. Outside Looking In
. Someday (We'll Be Together)
. One Way Street
. Because The Night
. Wrong Side Of The Street
. The Brokenhearted
. Rendezvous
. Candy's Boy

. Save My Love
. Ain't Good Enough For You
. Fire
. Spanish Eyes
. It's A Shame
. Come On (Let's Go Tonight)
. Talk To Me
. The Little Things (My Baby Does)
. Breakaway
. The Promise
. City Of Night

DVD 1
THE PROMISE: THE MAKING OF DARKNESS ON THE EDGE OF TOWN


Material inédito de arquivo filmado entre 1976-1978, com imagens de ensaios domésticos e sessões de gravação onde é possível ver o processo criativo de Springsteen.


DVD 2
PARAMOUNT THEATER, ASBURY PARK, NJ - 2009
THRILL HILL VAULT (1976-1978)


Primeira parte do DVD inclui a gravação do espectáculo intimista (sem audiência), onde Bruce e a E Street Band tocam o alinhamento original do álbum Darkness:

. Badlands
. Adam Raised a Cain
. Something In the Night
. Candy's Room
. Racing In the Street
. The Promised Land
. Factory
. Streets of Fire
. Prove It All Night
. Darkness On the Edge of Town

Na segunda parte é possível ver imagens inéditas de ensaios, gravações de estúdio e músicas ao vivo entre 1976 e 1978:

. Save My Love (Holmdel, NJ - '76)
. Candy's Boy (Holmdel, NJ - '76)
. Something In The Night (Red Bank, NJ - '76)
. Don't Look Back (NYC - '78)
. Ain't Good Enough For You (NYC - '78)
. The Promise (NYC - '78)
. Candy's Room Demo (NYC - '78)
. Badlands (Phoenix - '78)
. The Promised Land (Phoenix - '78)
. Prove It All Night (Phoenix - '78)
. Born To Run (Phoenix - '78)
. Rosalita (Come Out Tonight) (Phoenix - '78)


DVD 3
HOUSTON '78 BOOTLEG: HOUSE CUT


Concerto completo ao vivo e nunca antes editado da Darkness Tour:

. Badlands
. Streets Of Fire
. It's Hard To Be A Saint In The City
. Darkness On The Edge Of Town
. Spirit In The Night
. Independence Day
. The Promised Land
. Prove It All Night
. Racing In The Street
. Thunder Road
. Jungleland
. The Ties That Bind
. Santa Claus Is Coming To Town
. The Fever
. Fire
. Candy's Room
. Because The Night
. Point Blank
. She's The One
. Backstreets
. Rosalita (Come Out Tonight)
. Born To Run
. Detroit Medley
. Tenth Avenue Freeze-Out
. You Can't Sit Down
. Quarter To Three


A VOZ DOS FÃS


COM OS PULMÕES CHEIOS DE PÓ

Aos 27 anos, Bruce Springsteen arrisca tudo. Depois de uma contenda com o manager que o impedia de pôr os pés num estúdio, rejeita a cama de sucesso que tem à sua frente e foge a refugiar-se no passado e na vida das pequenas cidades americanas. "Darkness on the Edge of Town", de 1978, não é punk em som, mas é-o em espírito. A reedição acentua o peso histórico de um disco soberbo

"Alugar 'Badlands'". A frase até parece estar em relevo, saltando à vista de imediato da amarelada (mas não carcomida) folha de trabalho. Bruce Springsteen deve ser um rapaz muito arrumadinho, para o caderno de apontamentos de há mais de 20 anos, em que ia anotando pistas para aquele que viria a ser um dos discos mais importantes da sua carreira não ter morrido num qualquer sótão. Mas voltemos àquela curta nota: antes de se lembrar a si mesmo de completar alguns temas ou experimentar novos arranjos para as músicas que o ocupavam, ver urgentemente o filme de Terrence Malick sobre um jovem casal que repentinamente se dedicava ao crime e se fechava ao mundo. Era um mergulho físico, para se cobrir de pó e de mazelas nos costados, na verdadeira paisagem americana. Longe de pontes sobre Brooklyn, florestas de betão, estátuas com tochas ou passadeiras vermelhas. Depois de uma extraordinariamente bem-sucedida digressão de "Born to Run", que dele tinha feito uma estrela rock, Springsteen desembolsou 2000 notas de dólar, comprou um Ford e seguiu com o guitarrista Steve Van Zandt numa viagem pelo sul do país.

No espelho retrovisor, sabia que queria ver o tom épico de "Born to Run". O medo de acordar com as roupas do sucesso metia-lhe medo e, no meio de uma acesa disputa de três anos com o manager Mike Appel sobre o controlo artístico, sentiu o chamamento súbito de se ligar novamente aos pais e à realidade do país, habitualmente varrida para debaixo do tapete, longe dos olhares fugazes de quem parava nas pequenas cidades apenas de passagem, sem vencer a desconfiança local. Era um grito em esforço por genuinidade, rouco de tanta intensidade, em que o cinema de Malick era uma referência essencial, a par de Bob Dylan. Depois de ter descoberto em "Highway 61 Revisited" o eco do país a que sentia pertencer na adolescência, Springsteen tomou por ambição chegar a esse mesmo fascinante retrato da América que rompia com as histórias bonitinhas dos hits do Top 40 que lhe feriam os ouvidos.

O apelo foi tão devastador na sua exigência que deitou fora, sem arrependimento, todas as muitas canções "alegres" compostas no período de três anos que mediou o lançamento dos dois álbuns e em que se deu a batalha judicial com Appel. E ficaram apenas as dez que reflectiam por inteiro as suas narrativas de personagens que a vida tratava com um chicote mas a que oferecia sempre esperança suficiente para se levantarem, até ser altura de caírem novamente. Não era uma questão de losers. Era antes a vida castigadora, que mantinha as suas gentes à beira de uma qualquer explosão. Um país nervoso, sangrento, subterrâneo, fora do alcance dos radares da normalidade exigida e ditada por maioria.

Nem açúcar nem adoçantes

Embrenhado nas músicas de Hank Williams e Woody Guthrie - tal como fizera Dylan -, a Springsteen interessava reduzir a cinzas todas as camadas de glamour que o sucesso de "Born to Run" lhe tivesse acrescentado à pele. Era uma reacção de estranheza, de quem usa os punhos para furar e alcançar a vitória, mas a quem os louros desse mesmo feito não servem, sendo mais desconfortáveis do que o soco mais violento que poderia obter em resposta. O Springsteen de "Darkness" é um músico que fez tudo para chegar àquele ponto mas que não consegue unir as pontas: o rapaz de New Jersey que pegara pela primeira vez numa guitarra aos 13 anos estava demasiado distante da figura ovacionada noite após noite. Há, em tudo isto, uma violenta dose de culpa, de traição às origens, que "Darkness" explora exemplarmente. A escuridão que habita cada uma das personagens num ponto de instabilidade, a exigir uma qualquer revolução interior, é um espelho de um Springsteen debatendo-se consigo mesmo num pântano assustador que dá pelo nome de verdade: o homem, o músico, deixara de saber aonde pertencia. E daí o regresso à essência.

A vontade de romper com a imagem errada que "Born to Run" se arriscava a tatuar-lhe na pele conduziu-o a determinações definitivas como a recusa de quaisquer secções de cordas ou sopros (há um saxofone, sim senhor, mas não tem direito a bilhete para acompanhante). "We want coffee black" - café puro, sem açúcares nem adoçantes - era o mandamento nas sessões de gravação. Consciente de que em ano de explosão punk apostar em arranjos grandiloquentes seria quase o mesmo que promover um suicídio em público, Springsteen sabia também que a crueza das personagens que chamara a habitar as suas letras não se compadecia com luxos instrumentais.

Mas a sua certeza em relação ao artista que queria ser aos olhos do público espraiou-se identicamente até à escolha meticulosa da fotografia para a capa do disco: em sua casa, Springsteen queria passar aquele ar solitário, de um charme quase anti-social, do rebelde que a sociedade coloca à margem por ser mais confortável negá-lo do que integrá-lo. Se a isso juntarmos o facto de durante a digressão anterior ter assistido a um visionamento privado de "Mean Streets", que o próprio Martin Scorsese providenciou em Los Angeles, percebe-se o quanto o cinema americano, absolutamente deliciado com esta ideia de margens, influenciou "Darkness".

E depois, há todo o contexto social. Por muito que Springsteen tente puxar o foco para a sua necessidade pessoal de se recentrar - direcção que manteria por mais dois discos notáveis, "The River" e "Nebraska" -, "Darkness" acaba por ser igualmente, mesmo que de forma involuntária, um disco de ressaca do fim da guerra no Vietname, de caminho (a fórmula desemprego + inflação estava já presente) para a recessão durante a presidência de Jimmy Carter, de uma quase desesperança transversal a um país a contas com a melhor forma de lamber as suas feridas sem matar de vez um orgulho nacional que se cria inabalável.

Podia ter sido mineiro

Bruce Springsteen tinha apenas 27 anos quando editou "Darkness on the Edge of Town", numa altura em que se tinha dado início a uma procura desesperada pelo "próximo Bob Dylan" - algo com que hoje ironiza, uma vez que Dylan mal tinha chegado aos 35 anos em 1977. Mas se as ligações com o passado são fáceis de identificar em Dylan e em alguma country que Springsteen andou a colher nos três anos que demorou a montar "Darkness", é curioso aquilo que o disco antecipa em termos de pop/rock: não custa muito a encontrar os Arcade Fire, Nick Cave, Ryan Adams ou os Afghan Whigs na bola de cristal estilística que o álbum proporciona.

A presente reedição, que embala o disco original numa luxuosa apresentação ao melhor género de caderno de apontamentos A4 - reprodução fiel das notas de Springsteen - lança nova luz sobre um disco que, enfiado entre os clássicos populares "Born to Run" e "Born in the USA", e, por outro lado, o culto mais óbvio de "Nebraska", acabou por cair excessivamente na sombra. "Darkness" é um disco monumental, de peito escancarado, de um risco que hoje pode parecer despropositado - por soar quase convencional -, mas que à época garantiu a Bruce um lugar entre os maiores da canção americana. A ausência de cedências perante o conceito que o músico tinha desenhado para o disco, tem agora um espantoso acrescento: "The Promise", álbum duplo com temas que não cabiam nas exigências teóricas de "Darkness", e que fazem perceber que Springsteen não estava a brincar ao falar de uma selecção criteriosa do material incluído no disco original em 1978. De qualidade insuspeita - um dos temas é o "Because the Night" oferecido a Patti Smith -, a diferença está mesmo na desadequação perante o propósito da América oculta e tresmalhada. Será vendido igualmente de forma autónoma, para quem dispensar a edição especial.

A juntar à música, este "Darkness" traz um filme precioso (mais dois concertos) que desvenda as costuras do disco. O documentário, também intitulado "The Promise", passa 88 minutos a levantar questões e a lembrar quem era e o que fez este Springsteen que se tornaria campeão de êxitos radiofónicos e tomado por uma figura mainstream chata - no sentido de plana, não se deixem enganar - quando tem, logo após uma película superficial, uma profundidade capaz de achar petróleo. E "Darkness", sabemo-lo aqui, é a primeira curva na vi(r)agem para o interior do país. Ao querer lembrar-se de onde veio, Bruce confundiu os pais com os tios, New Jersey com o Baton Rouge, o rio Hudson com a aridez do deserto texano. E a sua vida com a dos anónimos Joeys ou Jerrys, Johns ou Toms, gasolineiros ou operários fabris, mineiros ou delinquentes. "Darkness on the Edge of Town" é um disco sobre quem foi Bruce Springsteen até 1978. Mas também sobre quem poderia ter sido, se tivesse nascido numa outra cidade norte-americana, longe das guitarras e em luta com a opressão de um quotidiano com paisagens a perder de vista mas horizontes míopes.

Gonçalo Frota
 

Edição especial com 3 DVD's + 3 CD's, comemorativa dos 32 anos de lançamento do quarto álbum de Bruce, em 1978: "Darkness On the Edge Of Town".



Esta edição de luxo contém imagens inéditas das gravações do álbum, para além d
a edição de um concerto completo em 1978.



: AGRADECIMENTOS


Gonçalo Frota
faz a crítica a The Promise, texto disponível no site ípsilon e também na edição em papel publicada no dia 24/11/2010.


 
Bruce Springsteen & the E Street Band - Badlands Portugal - 2001/2016

"It ain't no sin to be glad you're alive"
Badlands, Darkness On the Edge Of Town, 1978