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: CURIOSIDADES


. O lançamento deste álbum serviu também como pretexto para a reunião da E Street Band.

. Gravam alguns temas em estúdio, situação que não acontecia desde o registo do álbum "Born in the U.S.A." em 1984.

. Apesar desta reunião da banda, só voltariam a estar de novo juntos em 1999, quando partem para uma digressão mundial, oportunamente apelidada: The Reunion Tour.

DISCOGRAFIA

1973 - Greetings From Asbury Park, NJ
1973 - The Wild, The Innocent & The & Street Shuffle
1975 - Born to Run
1978 - Darkness on the Edge of Town
1980 - The River
1982 - Nebraska
1984 - Born in the U.S.A.
1986 - Live/1975-85
1987 - Tunnel of Love
1988 - Chimes of Freedom
1992 - Human Touch
1992 - Lucky Town
1993 - In Concert, MTV Plugged
1995 - Greatest Hits
1995 - The Ghost of Tom Joad
1998 - Tracks
1999 - 18 Tracks
2001 - Live in New York City
2002 - The Rising
2003 - The Essential Bruce Springsteen
2005 - Devils & Dust
2005 - Hammersmith Odeon London '75
2006 - We Shall Overcome The Seeger Sessions
2006 - We Shall Overcome The Seeger Sessions - American Land Edition
2007 - Live in Dublin
2007 - Magic
2009 - Working on a Dream
2010 - The Promise

GREATEST HITS


Greatest Hits

A VOZ DOS FÃS


Bruce Springsteen regressa às lides discográficas e à gravação com a famosa E Street Band, com quem atingiu os picos da fama e com a qual não gravava desde “Born In USA”. Enquanto isso, tudo indica que a cerimónia de entrega dos “Grammys”, na quarta-feira, reservará um lugar de destaque a si e à canção “Streets Of Filadelphia”.

Quando amanhã for posto à venda o novo album de Bruce Springsteen, os cépticos encolherão os braços. Trata-se de um “Greatest Hits” com apenas duas canções inéditas, “Secret garden” e “This hard land”. A última, inclusivamente, é bem conhecida dos que assistiram ao seu concerto de 93 em Lisboa ou compraram as gravações piratas. O que é verdadeiramente importante neste regresso é que pela primeira vez desde 1984, Bruce gravou os dois temas com a E Street Band que dissolvera de forma assaz lacónica em Novembro de 1989.

Roy Bittan, Clarence Clemons, Danny Federici, Nils Lofgren, Patti Scialfa, Garry Tallent, Max Weinberg e o amigo de sempre Steve Van Zandt responderam à chamada, na New York’s Hit Factory. Bruce prepara-se para comparecer na quarta-feira na cerimónia de entrega dos “Grammys”, prémios da indústria musical, para os quais foi nomeada “Streets Of Filadelphia”. Aos 45 anos, estará a chegar ao fim o ciclo de retiro e algum acomodamento iniciado em 89? Quererão estas novas gravações indiciar que o novo album de originais contará de novo com a que já foi considerada em tempos a melhor banda ao vivo de rock’roll?

Springsteen afirmou-se, no seio de uma cultura popular americana, pujante e dominadora durante o século XX, como a voz da América profunda. Tal como John Ford ou Martin Scorsese, no cinema, Steinbeck na literatura ou Edward Hopper, na pintura, a sua temática é o grande continente. Em mais de 20 anos de canções, tem cantado o sonho americano à medida do seu proprio sonho de rocker que aos 8 anos viu Elvis no Ed Sullivan Show e quis que lhe comprassem uma guitarra.

Com Bruce Springsteen e os seus épicos concertos de três horas e meia, o público num enorme e sussurrante “Bruuuuce, Bruuuuce”, temos a América cantada sob a energia e a intensidade do melhor rock’n roll. Herdou a vitalidade em palco dos primeiros rockers, incorporou a rebeldia contestatária de Woody Guthrie e moldou tudo à sua propria imagem.

Este é, no entanto, um rocker singular. Provavelmente pela primeira vez na história do rock’nroll, a estrela não envereda pela auto-destruição depois de um período de grande criatividade nem continua de forma patética a tentar perpetuar uma juventude que já perdeu. Ao longo de 22 anos, ao envelhecimento de Springsteen corresponde uma evolução gradual das suas letras, do idealismo juvenil de “Born To Run” ao desencanto amargo de “Darkness On The Edge Of Town”, da dúvida e inquietação amorosa de “Tunel Of Love” até ao optimismo de pai de família de “Lucky Town”.

A viagem começa em Freehold, New Jersey, a 23 de Setembro de 1949. Douglas, o pai de Bruce, de origem irlandesa, tenta ganhar a vida assumindo diversos empregos, de jardineiro a guarda prisional, de motorista a operário fabril. Adele, a mãe, é de origem italiana e ambos fazem questão que Bruce receba uma educação católica.

Freehold, nos anos 50, nada tinha para oferecer. A rapaziada costumava juntar-se na bomba de gasolina que ficava ao pé da casa em madeira e de alpendre da família Springsteen. Sem dinheiro nem estímulos intelectuais, Bruce leu três livros na adolescência e comeu pela primeira vez num restaurante aos 22 anos.

“O rock’nroll mudou a minha vida. Era a voz da América, a verdadeira América a chegar a tua casa”. Desiludido com a pequenez de Freehold e a vida cinzenta do pai, Bruce pôde sonhar pela primeira vez. “Ouvi algo na voz desses cantores que dizia que havia mais na vida do que aquilo que o meu velho fazia e do que a vida que eu levava. Continham uma promessa, a de que qualquer homem tem o direito de viver a sua vida com alguma decência e dignidade”.

Da mesma forma que odiava o colégio, as suas freiras e os valores católicos, Bruce tinha frequentes zangas com o pai, a quem criticava a falta de ambição. “Às 6h da manhã, todos os dias, via o meu velho saír, ouvia-o nas traseiras a carregar a bateria para pôr o carro a andar. Quando fui crescendo, olhava à minha volta e não conseguia ver como é que a minha vida poderia ser muito diferente da dele, porque parecia que tendo nascido num determinado lugar as coisas nunca poderiam mudar muito... Nunca tive uma foto dele a rir. Tudo o que conseguia recordar dele era sentado na mesa da cozinha à noite às escuras, a fumar um cigarro, à espera que tudo desaparecesse ou coisa parecida...”

Da relação difícil com o pai, nascerão mais tarde alguns dos seus melhores temas, como “Factory”, “Independence day” ou “My father’s house”. Em “Factory”, vê o pai a atravessar as portas da fábrica “com a morte nos olhos”, em “Independence day” despede-se-lhe explicando que não haveria forma da casa abriga-los aos dois e em “My Father’s house”, sonha com o regresso à casa paterna onde uma mulher desconhecida lhe diz que já não vive ninguém ali com esse nome.

A forma de Bruce se evadir da vida medíocre e cinzenta de Freehold era fechar-se no quarto a ouvir música, desde os Beatles ao som negro das Supremes e Marvin Gaye e ao rithm and blues de Gary US Bonds e Mitch Ryder. Aos 13 anos, comprou uma guitarra em segunda mão e aos 16 ouviu dizer que o grupo local “The Castilles” precisava de um novo guitarrista. Com os Castilles, fez a sua primeira aparição pública, começando a fazer a rota dos clubes, liceus, supermercados e drive-ins de New Jersey. Chegaram a atravessar o rio e tocar em Greenwich Village mas quando acabou o liceu, separaram-se. Bart Haines, o baterista, foi para o Vietnam, para não mais voltar.

Depois de deixar o liceu e após uma passagem fugaz pela universidade, Bruce passou a frequentar cada vez mais os clubes de Asbury Park. Esta, a 70 quilometros de Nova Iorque, era uma daquelas estâncias decadentes onde só parava quem já não tinha gasolina para chegar a Atlantic City. Em Asbury, em 69, Bruce, nessa altura com uma longa cabeleira, formou os Steel Mill, que serviriam de embrião à E Street Band. Foi lá que conheceu “Miami” Steve Van Zandt e grande parte dos futuros membros da E Street Band.

Os Steel Mill duraram pouco tempo e nem uma incursão de três meses à California hippie de então resultou. Bruce formou então os Dr Zoom and the Sonic Boom, uma banda efémera mas que já incluía alguns dos futuros membros da E Street Band, a que se seguiu a não menos efémera Bruce Springsteen Band.

Foi nos clubes de Asbury, no “Stone Pony”, “Upstage” ou “Student Prince”, que Springsteen foi moldando o seu som. Clarence Clemons, o saxofonista da E Street Band, recorda a primeira vez que o conheceu: “Era uma fria e chuvosa noite, chuvia por demais, eu abri a porta do bar e o vento arrancou a porta e atirou-a para a rua. Foi como se dissesse: “Aqui estou eu! Vim para tocar!” Quando começamos a tocar, foi como se estivessemos estado sempre juntos”.

A carreira profissional de Bruce começou com a aparição do empresário Mike Appel, em 1972, que lhe prometeu uma audição na CBS e o levou a assinar um contrato em cima do capot de um automóvel. Appel conseguiu que John Hammond, da CBS, que descobrira Bob Dylan, ouvisse Bruce. “Cantou como se a sua vida dependesse disso”, recorda Appel. Nessa mesma noite, Hammond reservou o palco do “Gaslight Club” para poder ouvir Bruce em frente a uma audiência. No dia seguinte, estava na CBS a gravar 14 canções.

Hammond via em Springsteen um novo Dylan e tentou vendê-lo como tal mas não só Springsteen insistia em tocar com a sua propria banda como o público do começo da década de 70 se começava a cansar do verdadeiro Bob Dylan. “Greetings From Asbury Park”, o seu primeiro album, exibia já algumas das imagens de marca do trabalho futuro de Springsteen. Apesar da verbosidade e das canções serem longas, o disco estava já impregnado do romantismo de rua que triunfaria no épico “Born To Run”, dois anos mais tarde. Em “Growin’ Up”, a canção do album que mais perdurou no reportório ao vivo do cantor, Bruce declara: “Juro que descobri a chave para o universo no motor de um velho automovel!”

O Segundo album, a seguir a uma decepcionante tournée com os Chicago, “The Wild, The Innocent And The E Street Shuffle”, enfatizou a poesia de rua do anterior, ou mitificando Asbury em “Sandy” ou romantizando os gangs de rua, os “little heroes” ou “romantic young boys” da canção “Incident on 57th Street”.

Apesar dos elogios da crítica, a CBS estava descontente com as vendas dos dois albuns. Por isso, quando Jon Landau, um dos mais prestigiados críticos de rock escreveu que vira o futuro do rock’nroll e o seu nome era Bruce Springsteen, a companhia montou uma gigantesca campanha de marketing que o apresentava como a salvação do rock’nroll.

A campanha colocou uma pressão enorme sobre os ombros de Bruce que estava a preparar o terceiro album e convidou Landau para o ajudar. “Ouçam”, dizia Springsteen, “a data de lançamento é um dia. O album é para sempre”.

Born To Run” não desiludiu ninguém. A energia e inocência do rock’n roll apoiava a capacidade narrativa de Bruce, a sua visão romântica de uma América juvenil em fuga, herois e heroínas a fugir da cidade em direcção à estrada, à procura do amor e redenção em velhos Chevrolets. Desde a abertura cinematográfica, Mary dançando à porta de casa, o vestido esvoaçando ao som de “Only the lonely” de Roy Orbinson, até ao final triunfante, “Thunder Road” é um clássico. Em “Jungleland”, os jovens urbanos erguem guitarras como lâminas de barbear e uma luta de gangs num beco é descrita como um balett. Em cada canção existia uma promessa de redenção, mesmo quando como em “Meeting Across The River”, esta surgia em forma de um negócio de droga.

Born To Run” atingiu o top ten rápidamente e Springsteen foi capa em simultâneo da “Time” e da “Newsweek”. A reputação dos seus concertos aumentou de tal forma que celebridades como Jack Nicholson e Robert De Niro acorreram a vê-lo. Habituados às vedetas distantes e cínicas dos anos 70, as audiências rendiam-se às cavalgadas épicas de Bruce e a E Street Band.

O cada vez maior envolvimento de Landau na carreira de Springsteen, mal visto por Mike Appel, explodiu em 76 quando Bruce o processou por má gestão. Appel, por seu lado, accionou judicialmente contra Springsteen conseguindo que este fosse proibido de gravar. Só em maio de 77 as duas partes chegariam a acordo. Springsteen ficava livre para gravar com quem quisesse e quatro dias mais tarde, ele e Jon Landau entraram em estúdio para gravar “Darkness On The Edge Of Town”.

Enquanto não pôde gravar, o cantor colocou todas as suas energias nos concertos, percorrendo a América de lés a lés. No fim de 78, um concerto seu era uma maratona rocker de quatro horas e 30 canções. Bruce não se limitava a cantar canções suas. Como verdadeiro herdeiro do rock’n roll, cantava versões suas de canções de Sam & Dave, Creedence Clearwater Revival, Buddy Holly, Eddie Cochran, Dylan, Chuck Berry, Beatles...Cantando em concerto muitas canções nunca gravadas, Bruce Springsteen, um compositor prolífico, tornou-se um dos artistas mais pirateados da história do rock. Ele tinha tanta consciência disso que uma noite em São Francisco, no auge do show, gritou: “Piratas, liguem os vossos gravadores!”

Depois de mais uma gestação difícil— Springsteen era hiper-selectivo e perfeccionista ao ponto de exigir alterar a primeira versão da capa— “Darkness On The Edge Of Town” saíu em meados de 78. O Bruce idealista de “Born To Run” transformara-se num homem mais amargo e resignado e os “Magic Rats” e “Spanish Johnnys” deram lugar a figuras mais velhas e mais próximas da realidade como a prostituta Candy de “Candy’s Room”. O piano melodioso com que Roy Bittan abria “Jungleland” três anos antes, deu lugar ao som estridente da guitarra e o uivo de Bruce em “Streets Of Fire” soa a um animal ferido perdido nas ruas da cidade.

A promessa e a esperança continuam presentes mas o esforço para alcançar a terra prometida é muito maior. “Em “Darkness”, explica Springsteen, “já não existe viagem de graça. Queres ir, tens de pagar. Talvez consigas atingir a terra prometida mas para o conseguir vais-te ferir. Há esperança mas é a esperança da sobrevivência”. Continua a existir redenção mas tem um preço. “If you want it, you take it, you pay the price”, canta.

Na sequência de “Darkness”, Bruce e a cada vez mais oleada E Street Band voltaram à estrada. Ao contrário das grandes bandas da altura, eles íam a toda a América, cantando durante seis meses em 37 Estados, uma média de três horas por noite e viajando de autocarro. Bruce queria levar a sua música às pessoas que afinal compunham as suas personagens. “Esses putos aí fora, é o seu dinheiro e é uma noite. Não te voltarão a ver durante um ano. Por isso não os posso desiludir”.

Continuando a fugir aos grandes auditórios, Bruce tentava criar um sentimento de partilha entre si e a audiência, intervalando as canções com longos monólogos sobre o seu passado. Quando um jornalista o abordou no backstage a pedir uma entrevista, replicou: “ Então mas eu não tenho estado a falar para si há quatro horas?”

A aparição de Springsteen nos concertos contra a energia nuclear, “No Nukes”, no Madison Square Garden, em Nova Iorque, ficou imortalizada em filme. Os fãs acorriam ao cinema para ver uma pequena parte da fita em que se via Springsteen a caír ao chão de proposito e a ser levantado pelos membros da E Street Band ou de guitarra em punho a tocar em cima do piano de Roy Bittan até escorregar de joelhos pelo palco. A velha guarda presente, dos Crosby Still and Nash a Carly Simon, era mostrada em estado de choque nos bastidores a ouvir o público a chamar “Bruuuuce, Bruuuuce!” Definitivamente, ele roubara-lhes o show!

Em Abril de 79, Springsteen entrou em estúdio para gravar aquele que é provavelmente o seu melhor trabalho, o duplo “The River”, 20 canções que vão da melancolia de “Wreck on the highway” e “Independence day” à exuberância rocker de “Cadillac Ranch”, “Ramrod”, “Hungry heart”. No album, que saíu em Outubro de 80, era como se Bruce, que atingira os 30 anos, tivesse finalmente aprendido a fazer compromissos. “Não se pode ser só sonhador”, disse ao New York Times, “Isso pode tornar-se uma ilusão que se transforma em desilusão. Ter sonhos é provavelmente o mais importante das nossas vidas mas deixá-los transformar-se em desilusões, wow, isso é veneno”.

As personagens continuam obsessivamente a tentar escapar ao sistema mas existe nelas uma resignação que não existia dantes. “Eu ía ser o teu Romeu e tu ías ser a minha Julieta mas hoje em dia já não esperas por Romeus, esperas pelo cheque da segurança social”, canta em “Point Blanck”. Na canção “Wreck on the highway” passa por nós a imagem em movimento de um homem a morrer junto ao carro acidentado. “Eu fiquei a ver enquanto a ambulância o pegou e eu pensei numa namorada ou numa jovem esposa e um polícia batendo à porta a meio da noite para lhe dizer “o teu querido” morreu num desastre de autoestrada”.

The River” foi idolatrado pela maioria da crítica mas alguns acusaram-no de machismo ao tratar sempre as mulheres por “baby”, de sentimentalismo e mostravam-se sobretudo fartos do seu imaginário de carros, estradas e promessas a cumprir no fim da cidade. Na realidade, ao escrever sobre a América, Springsteen tinha de a descrever assim, uma sociedade em permanente movimento e onde a estrada e o automóvel são passaportes para a evasão.

Sprigsteen partiu para mais uma gloriosa tournée, realizando 132 concertos em 30 países durante 12 meses. Passou todo o ano de 82 na penumbra tocando em “jam sessions”, ajudando músicos seus amigos e viajando durante largos meses anónimanente pela América de carrinha. Queria fugir de alguma maneira à sombra do triunfo e ao estatuto de grande rocker e poder ser ele mesmo.

A obra que saíu desse período de retiro e reflexão, “Nebraska”, dez canções gravadas em casa num gravador de quatro pistas é como que um retrato a preto e branco de uma América atingida pela depressão. Johnny 99, uma das personagens determinantes, é uma figura a quem o desemprego retirou a dignidade pessoal e por isso cometeu um crime. Mas mesmo nos momentos mais negros e tristes, Springsteen transmite esperança e crença, como em “Reason too believe” ou nos versos de Atlantic City, “bem, eu acho que tudo morre, querida, isso é verdade, mas talvez tudo o que morre um dia regresse”.

As vendas fracas de “Nebraska” seriam compensadas pela explosão chamada “Born In The USA”, em Junho de 84. Este é um clássico, o rock’n roll no seu máximo, a magnificente bateria de Max Weinberg abrindo caminho. Bruce faz algumas concessões ao pop, sobretudo em “Dancing in the dark” ou “Cover me” mas no resto apresenta-se como um rocker devastador. Já vai longe o romantismo adolescente de “Born To Run”, agora o sonho americano terminou em desilusão e sofrimento, o irmão mais velho morto em Khe Sahn. “I’m 10 years burning down the road/ Nowhere to run, ain’t nowhere to go”.

O heroi já não estende a mão à namorada para fugirem daquela pequena cidade juntos. Senta-se ao balcão de um bar, recordando as velhas glórias e bebendo uma cerveja. “Born In USA” seria um pouco como que o último verdadeiro album de rock’n roll e Springsteen o seu último heroi.

O enorme sucesso de “Born In USA” revelar-se-ia uma faca de dois gumes para Bruce Springsteen. Reagan e a direita conservadora tentaram tirar proveito da faceta mais nacionalista da mensagem e o casamento com a modelo Julliane Philips numa igreja católica do Oregon, em Maio de 85, redundaria num fracasso. Por outro lado, agora que vendia discos e enchia estádios em todo o mundo, Springsteen atingira o cume da montanha. Ele, que sempre presara a integridade, honestidade e sinceridade, continuaria a cantar os oprimidos, agora que era fabulosamente rico? Manter-se-ia a representar o papel de heroi americano por quanto mais tempo? Que tipo de disco poderia agora fazer?

Jon Landau propôs-lhe que fizesse finalmente um album ao vivo. “Se não o fizermos agora, quando é que o vamos fazer? É impossível imaginar um momento mais oportuno do que este”. Springsteen sempre se mostrara renitente por achar que seria impossível reproduzir em disco o ambiente dos shows mas acabou por aceder. Ele e Landau ouviram dez anos de gravações até chegarem a uma selecção final. Uma caixa de cinco lps abarcando a carreira de Springsteen ao vivo saíu em Novembro de 86. Apesar de extensa, revela-se incompleta e esquece canções como “Johny Bye Bye”, dedicada a Elvis.

A forma de mais uma vez Bruce Springsteen fugir ao previsível foi gravar um album de canções de amor, “Tunnel Of Love”. Pela primeira vez, os membros da E Street Band não surgiam em conjunto na gravação das canções e era possível observar nas letras os problemas que o matrimónio idílico com Juliane Philips atravessava. Em “Ain’t got you”, queixa-se de ser o homem mais rico de mundo mas não ter o mais importante, o amor e em “Brilliant Disguise” canta: “Não consigo compreender o que uma mulher como tu está a fazer comigo”.

Em Maio de 88, em plena tournée “Tunnel Of Love”, o jornal sensacionalista britânico “Sun” anuncia a separação de Juliane e Bruce e em Junho, as mesmas páginas publicam fotos de Bruce abraçado a Patti Scialfa. A acrescer a este problema, dois ex-roadies acusaram Bruce de despedimento injusto o que chocou com a sua habitual imagem humanitária. Bruce terminou o ano de 88 numa gigantesca tournée mundial de apoio à Amnistia Internacional juntamente com Peter Gabriel e Sting e retirou-se.

O fracasso do casamento consubstanciado no divórcio em Maio de 89, deixou Springsteen numa grave crise de confusão e depressão que o levou a sujeitar-se a uma terapia psiquiátrica. No fim do ano, um mês depois de ter celebrado os seus 40 anos juntamente com a banda, Bruce telefonou a cada um membro da E Street Band a anunciar o fim do grupo. Avesso à rotina e ávido de tocar com outros músicos, decidira separar-se dos velhos amigos. “Ele está à procura de algo”, explicou na altura Nils Lofgren, “tem direito de estar confuso. Todos temos de crescer e evoluir”.

Ao mesmo tempo que se afastava da E Street Band, Springsteen cimentava a relação com Patti Scialfa. Em Janeiro de 90 foi anunciado que esperavam o primeiro filho e em Abril mudaram-se para uma luxuosa mansão em Beverly Hills comprada por 14 milhões de dolares. Bruce estava diferente. Longe do absorvente perfeccionismo de outrora, passou a fazer tudo com mais calma. Em estúdio, onde entrou em meados do ano, gravava um punhado de temas, descansava uns dias ou mesmo semanas e voltava ao estúdio só quando sentia vontade de trabalhar.

Os próximos tempos foram de felicidade conjugal e reconciliação consigo próprio. A Julho de 90 nascia Evan James, o primeiro filho e em finais de 91, Jessica Raes. Quando em Março de 92, depois de quase cinco anos de silêncio, Bruce lançou dois albuns, “Human Touch” e “Lucky Town”, entre a crítica e os fãs ficou uma sensação de semi-desapontamento. São bons discos mas talvez os primeiros de Bruce que não são fundamentais. Algumas das melhores canções, “Better days” e “Lucky Town”, são optimistas. Mostram um homem satisfeito em ter uma mulher a seu lado e em “If I should fall behind”, comprometem-se a ajudar-se um ao outro caso algo de mau aconteça.

Agora, passado o impacto de “Streets of Filadelphia”, reina de novo a expectactiva sobre o que o imprevisível Bruce Springsteen nos poderá trazer de novo. A sua reunião com a E Street Band será para levar a sério? Esperar-nos-á no fim do ano mais um album de rock’n roll? Dave Marsh, seu biógrafo, tem consciência de que a fasquia para Bruce será sempre muito elevada.

“Desde que Landau escreveu que vira o futuro do rock’n roll, sempre que as pessoas julgarem Springsteen não estará em questão se é bom ou mau, mas sim se é fantástico ou não.

Nuno Ferreira

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LETRAS



BORN TO RUN

In the day we sweat it out in the streets of a runaway American dream
At night we ride through mansions of glory in suicide machines
Sprung from cages out on highway 9,
Chrome wheeled, fuel injected
and steppin' out over the line
Baby this town rips the bones from your back
It's a death trap, it's a suicide rap
We gotta get out while we're young
'Cause tramps like us, baby we were born to run

Wendy let me in I wanna be your friend
I want to guard your dreams and visions
Just wrap your legs 'round these velvet rims
and strap your hands across my engines
Together we could break this trap
We'll run till we drop, baby we'll never go back
Will you walk with me out on the wire
'Cause baby I'm just a scared and lonely rider
But I gotta find out how it feels
I want to know if love is wild
girl I want to know if love is real

Beyond the Palace hemi-powered drones scream down the boulevard
The girls comb their hair in rearview mirrors
And the boys try to look so hard
The amusement park rises bold and stark
Kids are huddled on the beach in a mist
I wanna die with you Wendy on the streets tonight
In an everlasting kiss

The highway's jammed with broken heroes on a last chance power drive
Everybody's out on the run tonight
but there's no place left to hide
Together Wendy we'll live with the sadness
I'll love you with all the madness in my soul
Someday girl I don't know when
we're gonna get to that place
Where we really want to go
and we'll walk in the sun
But till then tramps like us
baby we were born to run

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THUNDER ROAD

The screen door slams
Mary's dress waves
Like a vision she dances across the porch
As the radio plays
Roy Orbison singing for the lonely
Hey that's me and I want you only
Don't turn me home again
I just can't face myself alone again
Don't run back inside
darling you know just what I'm here for
So you're scared and you're thinking
That maybe we ain't that young anymore
Show a little faith, there's magic in the night
You ain't a beauty, but hey you're alright
Oh and that's alright with me

You can hide 'neath your covers
And study your pain
Make crosses from your lovers
Throw roses in the rain
Waste your summer praying in vain
For a savior to rise from these streets
Well now I'm no hero
That's understood
All the redemption I can offer, girl
Is beneath this dirty hood
With a chance to make it good somehow
Hey what else can we do now
Except roll down the window
And let the wind blow back your hair
Well the night's busting open
These two lanes will take us anywhere
We got one last chance to make it real
To trade in these wings on some wheels
Climb in back
Heaven's waiting on down the tracks
Oh oh come take my hand
Riding out tonight to case the promised land
Oh oh Thunder Road, oh Thunder Road
oh Thunder Road
Lying out there like a killer in the sun
Hey I know it's late we can make it if we run
Oh Thunder Road, sit tight take hold
Thunder Road

Well I got this guitar
And I learned how to make it talk
And my car's out back
If you're ready to take that long walk
From your front porch to my front seat
The door's open but the ride it ain't free
And I know you're lonely
For words that I ain't spoken
But tonight we'll be free
All the promises'll be broken
There were ghosts in the eyes
Of all the boys you sent away
They haunt this dusty beach road
In the skeleton frames of burned out Chevrolets

They scream your name at night in the street
Your graduation gown lies in rags at their feet
And in the lonely cool before dawn
You hear their engines roaring on
But when you get to the porch they're gone
On the wind, so Mary climb in
It's a town full of losers
And I'm pulling out of here to win.

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BADLANDS

Lights out tonight
trouble in the heartland
Got a head-on collision
smashin' in my guts, man
I'm caught in a cross fire
that I don't understand
But there's one thing I know for sure girl
I don't give a damn
For the same old played out scenes
I don't give a damn
For just the in betweens
Honey, I want the heart, I want the soul
I want control right now
talk about a dream
Try to make it real
you wake up in the night
With a fear so real
Spend your life waiting
for a moment that just don't come
Well, don't waste your time waiting

CHORUS
Badlands, you gotta live it everyday
Let the broken hearts stand
As the price you've gotta pay
We'll keep pushin' till it's understood
and these badlands start treating us good

Workin' in the fields
till you get your back burned
Workin' 'neath the wheel
till you get your facts learned
Baby I got my facts
learned real good right now
You better get it straight darling
Poor man wanna be rich,
rich man wanna be king
And a king ain't satisfied
till he rules everything
I wanna go out tonight,
I wanna find out what I got
Well I believe in the love that you gave me

I believe in the love that you gave me
I believe in the faith that could save me
I believe in the hope
and I pray that some day
It may raise me above these

CHORUS

mmmmmmmm, mmmmm, mmmmmm

For the ones who had a notion,
a notion deep inside
That it ain't no sin
to be glad you're alive
I wanna find one face
that ain't looking through me
I wanna find one place,
I wanna spit in the face of these badlands

CHORUS

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THE RIVER

I come from down in the valley
where mister when you're young
They bring you up to do like your daddy done
Me and Mary we met in high school
when she was just seventeen
We'd ride out of that valley down to where the fields were green

We'd go down to the river
And into the river we'd dive
Oh down to the river we'd ride

Then I got Mary pregnant
and man that was all she wrote
And for my nineteenth birthday I got a union card and a wedding coat
We went down to the courthouse
and the judge put it all to rest
No wedding day smiles no walk down the aisle
No flowers no wedding dress

That night we went down to the river
And into the river we'd dive
Oh down to the river we did ride

I got a job working construction for the Johnstown Company
But lately there ain't been much work on account of the economy
Now all them things that seemed so important
Well mister they vanished right into the air
Now I just act like I don't remember
Mary acts like she don't care

But I remember us riding in my brother's car
Her body tan and wet down at the reservoir
At night on them banks I'd lie awake
And pull her close just to feel each breath she'd take
Now those memories come back to haunt me
they haunt me like a curse
Is a dream a lie if it don't come true
Or is it something worse
that sends me down to the river
though I know the river is dry
That sends me down to the river tonight
Down to the river
my baby and I
Oh down to the river we ride

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HUNGRY HEART

Got a wife and kids in Baltimore, Jack
I went out for a ride and I never went back
Like a river that don't know where it's flowing
I took a wrong turn and I just kept going

CHORUS
Everybody's got a hungry heart
Everybody's got a hungry heart
Lay down your money and you play your part
Everybody's got a hungry heart

I met her in a Kingstown bar
We fell in love I knew it had to end
We took what we had and we ripped it apart
Now here I am down in Kingstone again

CHORUS

Everybody needs a place to rest
Everybody wants to have a home
Don't make no difference what nobody says
Ain't nobody like to be alone

CHORUS

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ATLANTIC CITY

Well they blew up the chicken man in Philly last night now they blew up his house too
Down on the boardwalk they're gettin' ready for a fight gonna see what them racket boys can do

Now there's trouble busin' in from outta state and the D.A. can't get no relief
Gonna be a rumble out on the promenade and the gamblin' commission's hangin' on by the skin of its teeth

CHORUS
Well now everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Put your makeup on fix your hair up pretty
And meet me tonight in Atlantic City

Well I got a job and tried to put my money away
But I got debts that no honest man can pay
So I drew what I had from the Central Trust
And I bought us two tickets on that Coast City bus

CHORUS

Now our luck may have died and our love may be cold but with you forever I'll stay
We're goin' out where the sand's turnin' to gold so put on your stockin's baby 'cause the night's getting cold
And everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back

Now I been lookin' for a job but it's hard to find
Down here it's just winners and losers and don't get caught on the wrong side of that line
Well I'm tired of comin' out on the losin' end
So honey last night I met this guy and I'm gonna do a little favor for him
Well I guess everything dies baby that's a fact
But maybe everything that dies someday comes back
Put your hair up nice and set up pretty
and meet me tonight in Atlantic City
Meet me tonight in Atlantic City
Meet me tonight in Atlantic City

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DANCING IN THE DARK

I get up in the evening
and I ain't got nothing to say
I come home in the morning
I go to bed feeling the same way
I ain't nothing but tired
Man I'm just tired and bored with myself
Hey there baby, I could use just a little help

You can't start a fire
You can't start a fire without a spark
This gun's for hire
even if we're just dancing in the dark

Message keeps getting clearer
radio's on and I'm moving 'round the place
I check my look in the mirror
I wanna change my clothes, my hair, my face
Man I ain't getting nowhere
I'm just living in a dump like this
There's something happening somewhere
baby I just know that there is

You can't start a fire
you can't start a fire without a spark
This gun's for hire
even if we're just dancing in the dark

You sit around getting older
there's a joke here somewhere and it's on me
I'll shake this world off my shoulders
come on baby this laugh's on me

Stay on the streets of this town
and they'll be carving you up alright
They say you gotta stay hungry
hey baby I'm just about starving tonight
I'm dying for some action
I'm sick of sitting 'round here trying to write this book
I need a love reaction
come on now baby gimme just one look

You can't start a fire sitting 'round crying over a broken heart
This gun's for hire
Even if we're just dancing in the dark
You can't start a fire worrying about your little world falling apart
This gun's for hire
Even if we're just dancing in the dark
Even if we're just dancing in the dark
Even if we're just dancing in the dark
Even if we're just dancing in the dark
Hey baby

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BORN IN THE U.S.A.

Born down in a dead man's town
The first kick I took was when I hit the ground
You end up like a dog that's been beat too much
Till you spend half your life just covering up

Born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
Born in the U.S.A.

Got in a little hometown jam
So they put a rifle in my hand
Sent me off to a foreign land
To go and kill the yellow man

Born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
Born in the U.S.A.

Come back home to the refinery
Hiring man says "Son if it was up to me"
Went down to see my V.A. man
He said "Son, don't you understand"

I had a brother at Khe Sahn fighting off the Viet Cong
They're still there, he's all gone

He had a woman he loved in Saigon
I got a picture of him in her arms now

Down in the shadow of the penitentiary
Out by the gas fires of the refinery
I'm ten years burning down the road
Nowhere to run ain't got nowhere to go

Born in the U.S.A.
I was born in the U.S.A.
Born in the U.S.A.
I'm a long gone Daddy in the U.S.A.
Born in the U.S.A.
Born in the U.S.A.
Born in the U.S.A.
I'm a cool rocking Daddy in the U.S.A.

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MY HOMETOWN

I was eight years old and running with a dime in my hand
Into the bus stop to pick up a paper for my old man
I'd sit on his lap in that big old Buick and steer as we drove through town
He'd tousle my hair and say son take a good look around this is your hometown
This is your hometown
This is your hometown
This is your hometown

In '65 tension was running high at my high school
There was a lot of fights between the black and white
There was nothing you could do
Two cars at a light on a Saturday night in the back seat there was a gun
Words were passed in a shotgun blast
Troubled times had come to my hometown
My hometown
My hometown
My hometown

Now Main Street's whitewashed windows and vacant stores
Seems like there ain't nobody wants to come down here no more
They're closing down the textile mill across the railroad tracks
Foreman says these jobs are going boys and they ain't coming back to your hometown
Your hometown
Your hometown
Your hometown

Last night me and Kate we laid in bed
talking about getting out
Packing up our bags maybe heading south
I'm thirty-five we got a boy of our own now
Last night I sat him up behind the wheel and said son take a good look around
This is your hometown

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GLORY DAYS

I had a friend was a big baseball player
back in high school
He could throw that speedball by you
Make you look like a fool boy
Saw him the other night at this roadside bar
I was walking in, he was walking out
We went back inside sat down had a few drinks
but all he kept talking about was

Chorus:
Glory days well they'll pass you by
Glory days in the wink of a young girl's eye
Glory days, glory days

Well there's a girl that lives up the block
back in school she could turn all the boy's heads
Sometimes on a Friday I'll stop by
and have a few drinks after she put her kids to bed
Her and her husband Bobby well they split up
I guess it's two years gone by now
We just sit around talking about the old times,
she says when she feels like crying
she starts laughing thinking about

Chorus

Now I think I'm going down to the well tonight
and I'm going to drink till I get my fill
And I hope when I get old I don't sit around thinking about it
but I probably will
Yeah, just sitting back trying to recapture
a little of the glory of, well time slips away
and leaves you with nothing mister but
boring stories of glory days

Chorus (repeat twice)

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BRILLIANT DISGUISE

I hold you in my arms
as the band plays
What are those words whispered baby
just as you turn away
I saw you last night
out on the edge of town
I wanna read your mind
To know just what I've got in this new thing I've found
So tell me what I see
when I look in your eyes
Is that you baby
or just a brilliant disguise

I heard somebody call your name
from underneath our willow
I saw something tucked in shame
underneath your pillow
Well I've tried so hard baby
but I just can't see
What a woman like you
is doing with me
So tell me who I see
when I look in your eyes
Is that you baby
or just a brilliant disguise

Now look at me baby
struggling to do everything right
And then it all falls apart
when out go the lights
I'm just a lonely pilgrim
I walk this world in wealth
I want to know if it's you I don't trust
'cause I damn sure don't trust myself

Now you play the loving woman
I'll play the faithful man
But just don't look too close
into the palm of my hand
We stood at the alter
the gypsy swore our future was right
But come the wee wee hours
Well maybe baby the gypsy lied
So when you look at me
you better look hard and look twice
Is that me baby
or just a brilliant disguise

Tonight our bed is cold
I'm lost in the darkness of our love
God have mercy on the man
Who doubts what he's sure of

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HUMAN TOUCH

You and me we were the pretenders
We let it all slip away
In the end what you don't surrender
Well the world just strips away

Girl, ain't no kindness in the face of strangers
Ain't gonna find no miracles here
Well you can wait on your blesses my darlin'
But I got a deal for you right here

I ain't lookin' for praise or pity
I ain't comin' 'round searchin' for a crutch
I just want someone to talk to
And a little of that Human Touch
Just a little of that Human Touch

Ain't no mercy on the streets of this town
Ain't no bread from heavenly skies
Ain't nobody drawin' wine from this blood
It's just you and me tonight

Tell me, in a world without pity
Do you think what I'm askin's too much
I just want something to hold on to
And a little of that Human Touch
Just a little of that Human Touch

Oh girl that feeling of safety you prize
Well it comes at a hard hard price
You can't shut off the risk and the pain
Without losin' the love that remains
We're all riders on this train

So you've been broken and you've been hurt
Show me somebody who ain't
Yeah, I know I ain't nobody's bargain
But, hell, a little touchup
and a little paint...

You might need somethin' to hold on to
When all the answers, they don't amount to much
Somebody that you could just to talk to
And a little of that Human Touch

Baby, in a world without pity
Do you think what I'm askin's too much
I just want to feel you in my arms
Share a little of that Human Touch
Feel a little of that Human Touch
Give me a little of that Human Touch

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BETTER DAYS

Well my soul checked out missing as I sat listening
To the hours and minutes tickin' away
Yeah, just sittin' around waitin' for my life to begin
While it was all just slippin' away.
I'm tired of waitin' for tomorrow to come
Or that train to come roarin' 'round the bend
I got a new suit of clothes a pretty red rose
And a woman I can call my friend

These are better days baby
Yeah there's better days shining through
These are better days baby
Better days with a girl like you

Well I took a piss at fortune's sweet kiss
It's like eatin' caviar and dirt
It's a sad funny ending to find yourself pretending
A rich man in a poor man's shirt
Now my ass was draggin' when from a passin' gypsy wagon
Your heart like a diamond shone
Tonight I'm layin' in your arms carvin' lucky charms
Out of these heard luck bones

These are better days baby
These are better days it's true
These are better days
There's better days shining through

Now a life of leisure and a pirate's treasure
Don't make much for tragedy
But it's a sad man my friend who's livin' in his own skin
And can't stand the company
Every fool's got a reason to feelin' sorry for himself
And turn his heart to stone
Tonight this fool's halfway to heaven and just a mile outta hell
And I feel like I'm comin' home

These are better days baby
There's better days shining through
These are better days
Better days with a girl like you

These are better days baby
These are better days it's true
These are better days
Better days are shining through

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STREETS OF PHILADELPHIA

I was bruised and battered and I couldn't tell
what I felt
I was unrecognizable to myself
Saw my reflection in a window I didn't know
my own face
Oh brother are you gonna leave me
wasting away
On the streets of Philadelphia

I walked the avenue till my legs felt like stone
I heard the voices of friends vanished and gone
At night I could hear the blood in my veins
Just as black and whispering as the rain
On the streets of Philadelphia

Ain't no angel gonna greet me
It's just you and I my friend
And my clothes don't fit me no more
I walked a thousand miles
just to slip this skin

The night has fallen, I'm lyin' awake
I can feel myself fading away
So receive me brother with your faithless kiss
or will we leave each other alone like this
On the streets of Philadelphia

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SECRET GARDEN

She'll let you in her house
If you come knockin' late at night
She'll let you in her mouth
If the words you say are right
If you pay the price
She'll let you deep inside
But there's a secret garden she hides

She'll let you in her car
To go drivin' round
She'll let you into the parts of herself
That'll bring you down
She'll let you in her heart
If you got a hammer and a vise
But into her secret garden, don't think twice

You've gone a million miles
How far'd you get
To that place where you can't remember
And you can't forget

She'll lead you down a path
There'll be tenderness in the air
She'll let you come just far enough
So you know she's really there
She'll look at you and smile
And her eyes will say
She's got a secret garden
Where everything you want
Where everything you need
Will always stay
A million miles away

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MURDER INCORPORATED

Bobby's got a gun that he keeps beneath his pillow (oh yeah)
Out on the street your chances are zero (oh yeah)
Take a look around you (come on down)
It ain't too complicated
You're messin' with Murder Incorporated

Now you check over your shoulder everywhere that you go (oh yeah)
Walkin' down the street, there's eyes in every shadow (oh yeah)
You better take a look around you (come on down)
That equipment you got's so outdated
You can't compete with Murder Incorporated
Everywhere you look now there's Murder Incorporated

So you keep a little secret down deep inside your dresser drawer
From dealing with the heat you're feelin' down on the killin' floor
No matter where you step you feel you're never out of danger
So the comfort that you keep's a gold-plated snub-nose thirty-two
I heard that you

You got a job downtown, man it leaves your head cold (oh yea)
And everywhere you look life ain't got no soul (oh yeah)
That apartment you live in feels like it's just a place to hide
When your walkin' down the streets you won't meet no one eye to eye
Now the cops reported you as just another homicide
I can tell that you was just frustrated
from livin' with Murder Incorporated

Incorporated
Everywhere you look now
Murder Incorporated
Down on your knees
Murder Incorporated
Everywhere that you turn it's murder Incorporated

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BLOOD BROTHERS

We played king of the mountain out on the end
The world come chargin' up the hill, and we were women and men
Now there's so much that time, time and memory fade away
We got our own roads to ride and chances we gotta take
We stood side by side each one fightin' for the other
We said until we died we'd always be blood brothers

Now the hardness of this world slowly grinds your dreams away
Makin' a fool's joke out of the promises we make
And what once seemed black and white turns to so many shades of gray
We lose ourselves in work to do and bills to pay
And it's a ride, ride, ride, and there ain't much cover
With no one runnin' by your side my blood brother

On through the houses of the dead past those fallen in their tracks
Always movin' ahead and never lookin' back
Now I don't know how I feel, I don't know how I feel tonight
If I've fallen 'neath the wheel, if I've lost or I've gained sight
I don't even know why, I don't know why I made this call
Or if any of this matters anymore after all

But the stars are burnin' bright like some mystery uncovered
I'll keep movin' through the dark with you in my heart
My blood brother

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THIS HARD LAND

Hey there mister can you tell me
What happened to the seeds I've sown
Can you give me a reason, sir, as to why they've never grown
They've just blown around from town to town
Back out on these fields
Where they fall from my hand
Back into the dirt of this hard land

Well me and my sister
From Germantown we did ride
We made our bed, sir
From the rock on the mountainside
We been blowin' around from town to town
Lookin' for a place to stand
Where the sun burst through the clouds and fall like a circle
A circle of fire down on this hard land

Now even the rain it don't come 'round
Don't come 'round here no more
And the only sound at night's the wind
Slammin' the back porch door
Yeah it stirs you up like it wants to blow you down
Twistin' and churnin' up the sand
Leavin' all them scarecrows lyin' facedown
In the dirt of this hard land

From a building up on the hill
I can hear a tape deck blastin' "Home on the Range"
I can hear them Bar-M choppers
Sweepin' low across the plains
It's me and you, Frank, we're lookin' for lost cattle
Our hooves twistin' and churnin' up the sand
We're ridin' in the whirlwind searchin' for lost treasure
Way down south of the Rio Grande
We're ridin' 'cross that river in the moonlight
Up onto the banks of this hard land

Hey, Frank, won't you pack your bags
And meet me tonight down at Liberty Hall
Just one kiss from you, my brother
And we'll ride until we fall
Well sleep in the fields
We'll sleep by the rivers
And in the morning we'll make a plan
Well if you can't make it stay hard, stay hungry, stay alive if you can
And meet me in a dream of this hard land

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Incluídos neste lançamento de sucessos, estão também 5 temas inéditos:
"Streets Of Philadelphia", "Secret Garden", "Murder Incorporated", "Blood Brothers" e "This Hard Land".



: AGRADECIMENTOS


Nuno Ferreira
percorre a carreira de Springsteen até ao lançamento do primeiro registo que inclui os grandes sucessos do Boss.

Texto também publicado no jornal
O Público em 1995.

Nuno Ferreira é também o autor do blog Estradas Perdidas.


 
 
Bruce Springsteen & the E Street Band - Badlands Portugal - 2001/2016

"It ain't no sin to be glad you're alive"
Badlands, Darkness On the Edge Of Town, 1978